CONTEÚDOS SEMANAIS

Pensamentos sobre Negócios e Liderança

Textos semanais baseados em experiência real para quem decide e constrói.

Flávia Del Valle, CEO e palestrante TEDx especialista em liderança

Dizem que não existem mulheres falando de negócios. Os dados dizem outra coisa.

Dizem que não existem mulheres falando de negócios. Os dados dizem outra coisa.

“Você não pode ser o que você não consegue ver.”

— Marian Wright Edelman

Ouvi essa semana uma frase que ficou comigo: não existem mulheres falando de negócios e de gestão no Brasil.

Poucos dias depois, vi uma lista dos maiores nomes de economia e negócios do país. Corri os olhos e contei os homens. Parei quando percebi que ia demorar a chegar em uma mulher.

Uma das poucas era a Miriam Leitão, com meio século de estrada.

Parei e fiz a pergunta incômoda: será que não existem mulheres falando disso?
Ou nós ainda preferimos ouvir um homem quando o assunto é dinheiro?

O que os dados mostram

Fui procurar, porque revolta sem dado não sustenta argumento.

A ANBIMA monitora quem produz conteúdo de finanças e investimentos nas redes brasileiras. Na edição de 2025, as mulheres são 14% desse grupo. Em 2020 eram 15,5%. Ou seja, a fração pequena não cresceu. Encolheu.

À primeira vista, confirma a frase que ouvi.

O dado seguinte virou a mesa.

Quando essas mulheres publicam, o conteúdo delas gera 21% mais engajamento do que o dos homens no mesmo tema. São 3.686 interações médias por publicação, contra 3.041. E as interações com o conteúdo delas cresceram 85,4% no período medido, quase o triplo dos 26,1% deles.

Elas são minoria na quantidade e maioria na atenção. Parte disso é seleção: quem fica é quem entrega. Mesmo assim, o público responde. Escuta.

O gargalo está na cadeira que ainda não ocupamos.

O que está começando a mudar

Outra cadeira, a do comando das empresas, também começou a trocar de dono.

Entre as 250 maiores empresas do Brasil, a fatia de mulheres no comando saiu de 3% em 2019 para 6% em 2024, segundo a Bain. No mesmo intervalo, a presença feminina nos cargos executivos subiu de 23% para 34%, e nos conselhos de administração, de 5% para 10%.

Ainda é pouco. Mas é o começo de ocupar um lugar que, até bem pouco tempo, não era nosso.

Por que eu escrevo isso

Eu sou uma mulher que passa o dia falando de gestão, de decisão e de negócio.

Escrevo de dentro do problema. Toda vez que apareço numa câmera falando de dinheiro, de estratégia, de estrutura, ocupo um pedaço de uma cadeira que me disseram, por muito tempo, que não era minha.

No Método FDV, isso é Voz: ocupar o lugar com o que você sabe, até a sua presença ali deixar de ser exceção e virar paisagem.

Acredito que as pessoas vão ter que se acostumar a ver mais mulher na frente da câmera falando de taxa, de margem, de estrutura. Começando por mim. Espero que começando por você também.

Esta semana, o pedido é simples: me diz o nome de uma mulher que fala de negócios ou de finanças e que você admira. Vou registrar essa lista aqui, para a próxima pessoa que disser que elas não existem.

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