A gente imagina resiliência como o instante dramático de enfrentar uma tempestade.
Mas quem passa semanas sozinho no oceano sabe que a tempestade quase nunca é o verdadeiro problema.
O problema é o dia sem tempestade.
O mesmo movimento repetido milhares de vezes, sem aplauso, sem novidade e sem garantia de que aquilo vai funcionar.
É aí que a maioria dos negócios morre.
Não no fracasso espetacular, mas na monotonia do meio do caminho, quando a novidade já passou e o resultado ainda não chegou.
Era exatamente disso que Angela Duckworth falava.
A garra não aparece na largada empolgada.
Ela aparece no dia 23.
Você não controla o resultado. Controla a próxima remada.
Kelsey remava sem saber se aquele seria o dia do recorde.
Ela não controlava o mar, o vento nem o tempo final.
Controlava apenas a próxima remada.
Empreender nos primeiros anos é igual.
Você não controla quando o mercado vai validar a sua aposta.
Não controla quando o caixa vai entrar.
Controla a próxima ação concreta.
A ligação de vendas.
A melhoria no produto.
A conversa difícil.
A decisão que precisa ser tomada hoje.
No Método FDV, Força e Direção caminham juntas.
Força é continuar quando ainda não existe recompensa.
Direção é garantir que cada remada esteja levando você para o lugar certo.
Porque insistir sem direção também cansa.
Propósito é o que sustenta o remo no dia difícil.
Kelsey não remava apenas por um recorde.
Ela remava pela The Whale Foundation, organização que apoia a saúde física, mental e financeira dos guias de rio do Grand Canyon, comunidade da qual faz parte há anos.
A travessia também se transformou em uma campanha de arrecadação para a fundação.
Talvez não tenha sido apenas o desejo de vencer que manteve Kelsey remando.
Talvez tenha sido o propósito.
Negócios que atravessam anos difíceis costumam ter isso em comum.
Existe um motivo maior do que o faturamento do mês.
Um motivo que continua existindo mesmo quando ninguém está aplaudindo.
Três perguntas para aplicar essa resiliência hoje
Antes de fechar esta edição, quero te deixar uma pergunta.
Em que dia da travessia o seu negócio está agora?
Agora reflita sobre estas três questões:
• Você está tratando esse momento como uma crise aguda, quando talvez ele seja apenas a resistência crônica que toda travessia exige?
• Qual é a sua próxima remada concreta? A ação que está totalmente sob o seu controle hoje, independentemente do resultado final.
• O propósito por trás do seu negócio é forte o suficiente para sustentar você em um dia sem tempestade e sem aplausos?
Resiliência não é resistir à tempestade.
É continuar remando no dia em que não tem tempestade nenhuma.
Responde esta edição dizendo em que dia da travessia você sente que está.
Talvez eu não consiga remar por você.
Mas posso lembrar que desistir hoje talvez seja abandonar a poucos quilômetros da chegada.
Eu leio todas.
Sem deixar para depois,
Flávia