A saúde virou um filme contínuo. E a maioria ainda não sabe assistir.
Viver mais com dados: o que a revolução da longevidade ainda não resolveu
CONTEÚDOS SEMANAIS
Pensamentos sobre Negócios e Liderança
Textos semanais baseados em experiência real para quem decide e constrói.
O tsunami de IA que não espera você ficar pronta.
O preço da inteligência caiu 280 vezes em 24 meses.
Não é erro de digitação. É o dado do Índice de IA de Stanford: o custo para usar um modelo de
ponta despenca cerca de dez vezes por ano. O que custava vinte dólares hoje custa quarenta
centavos.
Peter Diamandis chama os próximos cinco anos de tsunami supersônico, citando Elon Musk:
uma onda tão rápida que, quando você ouve, ela já quebrou em cima de você. Eu li a edição
dele essa semana e parei numa frase, não num número
“A vantagem competitiva deixa de ser o que você sabe, e passa a ser aquilo para o qual você escolhe direcionar sua inteligência.”
Leia de novo. É a coisa mais importante da década para quem constrói empresa.
A leitura fácil dessa onda é o medo: vou ser substituída. A segunda leitura fácil é o deslumbre: economia de um quatrilhão de dólares, robôs a menos de um dólar por hora, doença virando problema de engenharia. As duas leituras te deixam parada. Uma por pânico, a outra por hipnose.
Tem uma terceira leitura, e é a que interessa para você.
Diamandis aponta uma inversão. Durante toda a história, o recurso escasso foi a capacidade intelectual: gente inteligente em número suficiente para resolver um problema. Quando essa capacidade fica quase de graça, o gargalo muda de lugar. Vira o mundo físico. Os átomos.
Quem move átomos na velocidade em que a IA move ideias, ganha.
Para uma fundadora brasileira de scale-up, isso tem uma tradução direta, e ela é quase um
alívio. O que sempre foi o nosso ponto fraco aparente — a operação, a execução, mover coisas
no mundo real — é exatamente onde a vantagem vai se concentrar. Não no Vale do Silício
discutindo a data da superinteligência. Aqui, em quem executa.
Mas tem uma condição. Se a inteligência fica abundante, a coisa rara passa a ser saber para onde apontá-la. Diamandis chama de a audácia do problema que você escolhe. Eu chamo de Direção, o D do método que eu uso há anos. Força para sustentar, Direção para escolher, Voz para liderar. Sempre foi sobre isso. A onda só tornou o D inegociável.
Eu vivo essa inversão na prática. Uso IA para decidir em três empresas, de setores diferentes.
O que mudou não foi velocidade. Foi a qualidade da pergunta que eu faço, e a clareza sobre qual problema merece a minha atenção. A ferramenta ficou barata. A decisão de onde usá-la é
o que continua valendo caro.
Então, três movimentos para essa semana, enquanto a maioria ainda debate datas:
Primeiro: pare de usar IA para fazer mais rápido o que você já fazia. Isso é substituição, e é pequeno. Escolha uma decisão difícil da sua empresa e use a IA para abrir três cenários com risco e custo de cada um. Mude a decisão, não a velocidade.
Segundo: faça uma pergunta incômoda sobre o seu negócio. Se o custo de pensar e de executar caísse a quase zero em cinco anos, qual parte da minha empresa deixaria de existir?
Comece a desmontar essa parte antes que o mercado desmonte por você.
Terceiro: em um mundo de inteligência infinita, o que não se automatiza é discernimento, bom gosto e a capacidade de mobilizar gente em torno de uma resposta. Treine isso. É o seu ativo que não cai de preço.
A onda é real. Os números do Diamandis são grandes demais para serem confortáveis, e ele tem razão num ponto: nada disso acontece por acaso, precisa ser construído com intenção.
A pergunta dele fecha melhor do que qualquer coisa que eu escreveria: Você está na praia assistindo a onda chegar, ou está na prancha, remando?
Sem deixar para depois, Flávia
P.S. — Se essa edição te fez pensar em alguém que está paralisada entre o medo e o
deslumbre, encaminha. É exatamente para quem precisa sair da praia.
Viver mais com dados: o que a revolução da longevidade ainda não resolveu

A sala tem teto alto e luz morna, gente falando baixo, e no meio dela aquele mármore branco que parece ter parado de se mover um segundo antes de eu chegar.
Duas da tarde, sol a pino, e ela nadando sozinha no fundo. Eu contemplei.